domingo, 22 de maio de 2011

A Filha do Vento

(Intertextualizando almas):

Verônica deixa para trás um último véu. E até houve alvura! Houve cintilância, veludo e perfume maciço. Agora é isso, o orvalho gelado escorrega pelo mármore, o rosto descoberto emociona-se com o vento e a nudez da madrugada... Ela vê a lua que ainda é cheia, tão densa quanto a dor latente, lunática. Crateras e os olhos verdes pairando por detrás das luzes da cidade.

Onde foi parar o último véu? Desprendeu-se do espírito distraído, desvairado; sem glória. Percorre o mundo, tolo; percorre o mundo em busca do sagrado gêmeo de paixão. Como se houvesse... E apenas resta uma pureza solitária.

-Volta, cobre a promiscuidade de Verônica! Cobre a vergonha de amar. Que dói.

Numa exaltação frenética ela vomita; numa exultação cadente a noite se afunda em seus olhos - ela só quer poder tirá-los de ti. O céu desce vazio, a ventania dança vazia, o mundo peleja... Vazio.

E você... E Verônica... E eu...

Tudo bem... Tudo bem...

Magia, Paixão e Poesia - Decifra me enquanto te Devoro

terça-feira, 17 de maio de 2011

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Então é isso?
Tapa na cara? ( e eu já disse que não gosto)

É bem isso. Deste-me um broto de luxúria, entoaste ode e rimas de Afrodite, beijaste minha solidão. Sou todo escravo...

Vomitaste-me após o gozo.
Arrancaste as asas da borboleta.
Consumiu com lava, petrificou meu coração magmático.

Logo eu que tanto antes te idealizei... Logo eu que tanto antes te necessitei. Necessitei! Ora, sem tu estaria eu numa sarjeta. Hoje percebo: ao menos minha sarjeta!

Pois que tudo que tenho é você e, confesso, você não faz parte de mim.

{ Fil cuspindo decepção. Misto de raiva e frustração... }

{faz parte né?}

{e ainda tem...}

... Magia, Paixão e Poesia - Decifra me enquanto te Devoro


sábado, 14 de maio de 2011

Todo dia é Teu

És tu mesmo o anjo que caiu em meus braços? Se é minha alma quem descansa em abraços celestiais.

Vida e versos dediquei a ti, um baú de relicários na memória. Dos mais altos risos às mais altas ascensões de espírito. Ah, anjo meu, como desejei ter-te tão mais próxima, tão ao lado. Mesmo sendo tu inquilina do meu coração! E os anos correram (a passos largos de uma dança mística)... Quatro anos, para ser mais específico. Quatro lindos solstícios de sublime amizade, da mais sincera e preciosa.


Tu és meu tesouro sonoro! Das notas agudas, dos vibratos emocionados...


Tesouro sonoro, do "eu te amo", do "conta comigo" e do "sempre estarei aqui por você".

Tivemos, juntos, tanta história! Tanta poesia ultra romântica. Uns musicais góticos cheios do lirismo que percorre o espírito de nosso espírito. Tivemos a fantasia, a loucura e a perfeição bem na palma das mãos (dadas).


Pra sempre! Ontem e hoje, sempre serás meu anjo da música. O anjo que curou a ferida maior, que esteve a velar meu pesadelo maior! Sou gruta de lágrimas quando àquele tempo negro recordo e com ele volto a ouvir longe a tua voz no telefone... Nas madrugadas do mal (sim, eu sempre me lembrarei disso... Tão tão tão grato, foi tu quem me deu a mão e afagou um peito aflito de morte).


Sou gruta de risos também. Nostalgias passadas e futuras que teremos: sim teremos, os anos cuidarão de traçar a trajetória eterna do nosso amor.

Ah, Mari. Eu simplesmente te amo. Todo eu te ama. Cada microcélula de vida e desfalecimento corre para o teu olhar; saudoso, grato, feliz, apaixonado!


Te amo e essa é minha singela homenagem. Sejas mais que bem aventurada, pois hoje é teu dia. (e em mim, todo dia é teu)

Parabéns *-*



.



14/05/2011



sábado, 7 de maio de 2011

A Masoquista


O sábado mal se aproxima e Ela não se contém de precipitações das dores vindouras. Como será o próximo vilão? Que signos de tortura usará e quão profundo e cruel penetrará os gabinetes de sua frágil feminilidade? Terá ele muitas cartas na manga; um bruxo de intenção toda maligna? Surpresas na esquina de seu sorriso, é o que Ela mais deseja.

Há um anjo com espada flamejante precedendo seus passos.

A chaga sagrada.



.


... Tu vira a próxima rua à esquerda. É bem ali.

Que isso, pra uma moça tão linda assim...


Porque demorou?

Ah, claro. E a culpa é minha.

Não, não, que isso! Esquece, ta? Esquece!

Não! Eu cansei. Você sempre se fazendo de vítima, é a tal da depressão e esse chororô. O que acontece é que eu já não te entendo. Ninguém entende, sabe?

Ah, eles me disseram sim, e daí? O que? Você acha que eu sou um trouxa. Claro... Mas eu sou mesmo, olha pra mim. Sou um idiota por te amar desse jeito. Corro atrás de você o tempo todo, me preocupo. Meu, to há meses tentando ver se isso vai pra frente e não sei mais o que fazer... Faço sempre o meu melhor. Você que fica aí, não faz nada. Que foi? Não vai dizer nada?

Ah, não tem? Pois eu tenho, tenho muito, aliás. Você vai escutar. Ta todo mundo te estranhando, você não era assim! Eu achando que você era a pobrezinha da história. Mas fica dando mancadas! Ainda bem que nossos amigos abriram os meus olhos! Eu te amo, mas é muita mancada com todos. Vê se para, pro teu bem. Senão vai ficar sozinha! Não vai dizer nada mesmo? Meu, pra que veio, então?

Para, para, para! Cansei de você e suas mentirinhas.

Então vai, dessa vez eu não vou correr atrás. Nem dessa vez nem nunca mais. Esquece que eu existo. Esquece que nós existimos!


.


Dói tanto... Glória Deus!

Em espasmos, glória ao Salvador que me pertimiu (só a mim) o talento de sentir um tanto da mensagem da cruz. Eu nunca resisto às torturas, às sete chagas, ao prego ultrapassando minha condição de d
or humana... Sou entronada com espinhos venenosos e mesmo assim, cuspida e humilhada, ajoelho escondida sobre o olhar da caveira e peço perdão.

Por eles. Me amarem.

Por Jesus. Ter me amado e derramado até espírito. Só para que eu não sentisse.

E eu, eu quero sentir! Amo sentir. Glória Deus pois sangro sem ressurreição.



Magia, Paixão e Poesia - Decifra me enquanto te Devoro

domingo, 1 de maio de 2011

Mísero Príncipe Fosco


Ele tem os tais tesouros encantados e um unicórnio no estábulo real. E do lado de fora do aposento, rugem os ventos do esquecimento, prontos a apagar qualquer vestígio da má lembrança. Mas ele hesita, observa as folhas dançando perdidas e quer. Quer manter a memória vívida no pretérito.

Quantas madrugadas insones caminhando nos halls do castelo, apenas esperando o tempo de resgatar a princesa? Quantas solidões emprestadas de suas ausências nos contos de fada (a heroína brilhava mais, sempre mais)? E quando o dia se confundia com a noite em cada canto lúgubre. Um dragão trancado no porão, em pó e depressão. Ah! Se houvesse um momento de glória, um beijo de despertar, um êxtase que fosse. Porém era sempre ele quem volvia o despertar, quem doava a vida - riqueza e salvação - e presenteava galardão de final feliz. Onde estava o seu?

Final?

Todo instante que sorria, suas mãos tremiam. Era a mísera falta de uma mão que lhe entregasse: o dom, a alegria, a humildade ou mesmo a morte. Que fosse um silêncio! Mas fosse acompanhado de uma mão na sua. Porque ele tem todos os tesouros do mundo encantado e uns mil e um contos para brilhar no fim, entretanto seu princípio queima de vazio.

E ele não quer esquecer, quer procurar em vestígios do que já se foi em cavalgadas de páginas e vozes na cabeceira de uma cama, algum calor que o havia entregue sopro de vida. Havia, sim! Numa época remota ele fora amado. Antes de nascer, fora amado.

Tinha que ser... Por favor?

Amado.

Magia, Paixão e Poesia - Decifra me enquanto te Devoro

quinta-feira, 28 de abril de 2011

confuso e de má qualidade

Que regalo de traição! É esse teu ósculo farto de adoração.
És Judas por ser meu amado, por trair meu coração calado.

eu
-Vamos discurtir amor?
-Mas eu não sei como é.
-Sorte tua.
-Então não é bom?
-Ah, é sim. Mas...
eu

(CENSURADO)

-Vamos discutir...
-Espera! Detesto discutir. Sobre qualquer coisa.
-Vamos sentir então.
-É... Você...
-Não. Cala e sente.

O garoto burro não presta atenção no que diz o espectro sussurrante.
Porque ele sabe, não quer ouvir.

"que te amo... que te amo... que te amo"

Amar: verbo intransitivo, confuso e de má não, péssima qualidade.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

She is my sin


Quem poderia ser a dama de roxo? De certo que eu não poderia ter sido. Fui mais para lilás, correndo nos campos de trigo, outrora caminho de paz.

Naquela outra vida...

Então, fostes tu a dama com veludo cor real a enlaçar minhas entranhas nas tuas? Com beijos do pecado, carícias de lilith a envenenar minha ignorância?


Fui Eva. Tu, Serpente.


E como velei teu fúnebre rastejar até os grilhões do inferno, como pedi perdão ao Imaculado por tua alma - engano do destino.


Fui Jesus. Tu, Judas.


Não... Fostes o beijo, eu o desejo. Nós: traição e o perdão do mundo. Muito necessário. Tantas víboras no paraíso. E minha bruxa de asas crucificadas no Hades eterno.


A dama de roxo que primeiro exalou o aroma da minha rosa em escarlate ardor.

A dama de roxo que primeiro amou os espinhos de meu frágil karma.

A dama de roxo, não de outra cor, a dama caiada em túmulo e tumulto.


Salteadora de almas, de paixões. Ah... Queria morrer por ti, Deus. Só para que o mundo pereça, e eu - eu de Lesbos - possa amar. Minha dama, minha morte e pecado.

"A sin for him
Desire within, desire within
Fall in love with your deep dark sin" - T. H.

Magia, Paixão e Poesia - Decifra me enquanto te Devoro

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Formas fixas: Soneto Italiano

Soneto Ocioso -__-

Que se faz do poeta nas tardes a vagar,
balbuciando fonemas d'um outro mundo,
bocejando desejos d'algo tão profundo
quando a luz passa preguiçosa e devagar?

Onde se esconde o vento, aos ouvidos roçar?
Outrora dançando profano e imundo,
hoje sussurra tal qual um moribundo
nem prece nem regozijo; é um divagar

Sobre-nada derramado em azeite
num corpo deitado, sagrado e bruto.
Diamante, intacto poeta em deleite.

E de verso em ócio, todo poema é fruto,
lágrima é virtude; dor, sangue e cicatriz, enfeite.
É ócio, é aquilo de poesia e perdição: desejo mútuo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Temporal

"Rosas: raios solares; dores: dardos lunares.

Tempo: tanto tirou; tarde, tendenciou à tristeza. Tímido.
Tempo: róceo sorriso soturno. Sádico, sentenciou a beleza. Todo tímido.

O dia correu
A noite desceu
Eu e Você,
Você e Eu.

Rosas: dardos lunares; dores: raios solares.

E tudo de novo, vez e outra, nova estação.
E tudo é novo, toda vez, temporal tentação."

[isso foi o Fil cansado de estudar literatura/sonoridade da poesia pra fazer a coisa na prática. E pra marcar compasso, ouvindo "Gone With My Sin"]



sábado, 9 de abril de 2011

Sarai

"Não sei se é pertubação ou incompetência. Apenas sei que há tempos não consigo juntas as peças e enxergar algo nítido. Nada além desses confusos lamentos que ressoam do meu ser... Reencontraria eu a manhã de ternura? Ou jamais a tive em meus braços? Sou filho das sombras, nascido do ventre da dor e da poesia."

terça-feira, 5 de abril de 2011

Requiem


Anônimos circuncidam a vida, silenciosamente resignados. Com seus passos, com seus traços. O vento vai e vem tão louco. Vai e vem;

Os telhados se desmancham com as chuvas, as esquinas escurecem desejos e a luz dos faróis cessam de transgredir a treva sacro adorada. Treva sagrada;

Sons imergem na atmosfera; um fluir de águas, fluir de prantos, a gargalhada ébria borbulhando nos ares noturnos. Um tiro, uma prece; E o amém.

Então vem a soturna hora. Tão fácil, tão digno, a Morte dança com a benção do Deus, tocando a alma do mundo. Coisas que acontecem apenas uma vez: ela se agasalhava com os carinhos do frio, velando o próprio corpo, de volta para a casa.

"Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona eis requiem
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona eis requiem
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona eis requiem sempiternam"

sábado, 2 de abril de 2011

De olhos fechados


Ainda acredito em você, nas dores que dedicas a mim, exalações de uma infidável lamentação. Não precisas me amar, não tens que me querer. Deixa só eu respirar, só por um tempo, só por mim?


Saturnine abraça a noite e um tanto de licor. Instintiva, fugitiva. Como era antes deles? Era a menina introspectiva; mesmo que uma vadia, ainda sim usava de uns segundos para reflexão existencial. Um e outro dia, pelo menos... Um e outro arrependimento, pelo menos.

Hoje basta o batom vermelho, os olhos rasgados ao luar, o corpo flutuante nas mãos do vento. Quem toca, quem machuca. Importa? Se sangra, se apodrece? Deixou de tudo, porque Tudo era Abismo.

(não é mais?)

De olhos fechados, dentro, em si é o maior abismo. Importa o que está de fora, então? Saturnine apenas vive, descendo em espirais cegas, chorando como um bebê, rindo como um bebê, pecando como um bebê.

(até quando?)

Você não tem que me amar, deixe me para trás. Toda a escuridão é minha. Algo enfim é meu. E não és tu. Pois bem, não me queiras mais: meus olhos se fecharam, para sempre, para tudo.

Anéis de luz negra sobrevoam a aura caída de Saturnine;
abismo e solidão.