quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

(Isso não é um retorno)


Se eu não me calo é por puro egoísmo. Já decidi: a humanidade jaz na lama podre e eu (óbvio) faço parte desse escárnio sem um deus. Não temos grandes feitos, morremos para a objetividade, o fluxo interior expandiu ao universo e hoje não diz mais nada. Mais nada.

O que há chama-se piedade. Histórias de comoção, desventuras pouco trágicas (no sentido supremo grego), tudo cru e real. Catarse? Nem a temos tão poderosa, nem se assim ainda fosse limparia o julgo que causamos ao longo dessa "evolução". Meus queridos homens e mulheres, criancinhas... Oremos em silêncio.

Não há um pai, não há um pão.

Em silêncio nessa última madrugada eu abri três mil cicatrizes e sangrei toda a verdade. Acabemos todos nós, por favor. Não há meta ou sonho tamanho, não há altruísmo ou inocências, não há renovo ou botão orvalhado nessa manhã que justifique a matança espiritual de cada dia.

Lutai por puro egoísmo. (Perdemos o Eden há milhares de versículos atrás). E eu não me calo por puro egoísmo. Três mil e uma cicatrizes estão abertas e eu sangro por você, homo sapiens.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Labirinto (parte VII ou uma possível saída)

Anjos retornam ao alto.
Siga os sonhos mais brandos, os tais altíssimos fora de mim. Vá, meu lindo. E te perguntarás: “o que foi isso?”.

(No fim nada haverá existido)
(o tempo e a eternidade)
(Diga a deus)

Celebremos o fim da noite.

Doces sonhos coloridos ao manto magenta e fogo. Algo sobre você e tuas profundas cicatrizes, algo sobre a maré que baila em tuas veias, amarga e fugaz. Doces sonhos... Assim eles te acalantam.

E o universo vibra lá fora, mesmo quando a solidão oculta o véu de santidade da vida. Vá, siga em frente: eles te adorarão.

Eu te amei. Te transgredi e amei. Pois bem, brilhe quando puder, seque as lágrimas, abrace. Se lembrares de meus olhos tristonhos, da última nota de nosso adeus (tudo foi, desde o inicio um adeus), sorrias à noite e siga. Ascenda, minha estrela!

Amei. Tu que passeou por esse labirinto solitário e beijou uns destroços de insanidade e brilho fajuto.

Agora vá. Prometa que brilhará para mim e vá... Entrego-te a saída, meu derradeiro fôlego de vida. Obrigado...

Light up!

sábado, 19 de novembro de 2011

O Labirinto (parte VI)


Perdoa? Perdoa minha ruína, esse caminho tortuoso e surreal que tenta ludibriar-te. Perdoa? É que eu preciso mentir para mim mesmo, fugir... Sou esse estranhamento sem lar, uma chuva só de angústia e ares de desencanto. Tudo o que edifiquei, tudo para o lado negro... Essa descida noturna não é minha, até o profundo... E se não me amares... Perdoa, meu lar é teu.


Guerreiros pelejam a restauração. Todos somos guerreiros da salvação! Fortes essa noite em nome do Amor.

Levante a voz, grite, quebra-me, escale meu maior monumento e grite: é sobre o amor! Corra, livra-te de mim, de meu amor. Siga o som infante à direita da clave de Sol, vire! Não, ali. Acima de ti, atrás do mundo, livre! Mata os flashes e será fácil.

Tivemos um o outro; lembra do caminho? Está lá, dois passos da tua fronte, corra. Que ainda esta noite serás feliz. Fora de mim.

Anjos caem: é de lá que vieste.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Labirinto (parte V)

Um segredo: há muito que emudeço em tua presença. Desde o primeiro instante que vislumbrei tua presença, desde o primeiro instante que vislumbrei tua face. E unicamente sou essa escura câmara confusa e espaço labiríntico vazio porque te amo; da primeira vez que vi tua face, essa tua linda face. (porque sempre depois do ápice da formosura, vêm a chuva baixa e o som do coração)


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Labirinto (parte IV)


Sente-se completo? Seguro? Machucado? O momento é teu, o céu é teu, dou meu infinitivo segredo-ser ao teu corpo humano. Há de superar as dores, os medos. Encanto aos olhos azuis com coragem, de ser, Livre. Aqui em mim e hoje-ternamente estarei em ti. Pois então não diga nada, sorria às cicatrizes e creia: a luz é toda tua...


A flecha negra rebentou e agora demônios atraídos antes por seu sono e acalanto, vêm famintos. A árvore da vida renasce e tu estás nela num novo instante! És o rei! A benção e os caminhos são os teus próprios. Questiona-te, onde estou, onde sou? Tudo é meu? Tudo isso sou eu? É magia.

Perduram alguns muitos passos a serem dados nesse salão. O próximo descaminho é o meu favorito (chegamos onde eu te digo “estarei contigo”). Eu te acolho e tu paras com a procura do fim; meus laços são o teu lar, essas entranhas infindáveis. Eu te deixaria ir, dizer adeus e me deixar chorar... Mas eu te tive. A multidão se encanta com teu vôo. As asas se encantam e eu fujo com teu canto. Temo-nos livres! A Lua recresce com o jardim em mil perfumes e temo-nos um no vôo do outro. Livre! Livre! Em meu colo te protejo... Um passo eterno, ah, podia ser tão eterno. Está bem, eu estarei contigo. Te protejo em meu corpo e somos a mesma luminescência alva rósea pura. Vá, eu permito, vá com teu destino, eu quero te amar mesmo de longe (e tu retornas e me pegas no colo).

Deus está aqui. Ele e todos os santos. O meu deus e os meus santos cantarão conosco no coração desse jardim o que canta teu coração: Cry me a river.

É doce e lindo. A multidão acompanha e até poderia chorar: emoção entoa até o limite. Mas não, não... Deixa brilhar frescor e orvalhar em nossa pele morena. Cry me a river...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Labirinto (parte III)

Nos verdes olhos de teu amado?

Ascende como príncipe e o azul mistura-se com a aquela aquarela de ilusão que não se finda. Te vejo através de teus olhos, te vejo no paraíso, nas estrelas, vivendo por toda essa triste devoção. Abrace o ventre, ore para o dançarino astral, creia... Príncipe, meu príncipe perdido.

Te beijo.

Amor no centro de tudo. Meu cativo, as raízes morrem, eu desmorono; sou a noite - nua - e você minha mística luna. Não posso... Não deveria: sou labirinto e me perdi em teu corpo! Mal posso respirar. Deixa-me sozinho? Procure meu fim, dia após dia, abandone-me.

Eu não posso respirar.

O azul é meu! Que devora todo o espaço, esse espírito ciano de dor. Príncipe, no centro, venha! Desfaça-me... E eu já não respiro sem ti. Pois é lindo...

Teus ombros, meus umbrais: eu Te possuo eu Te preciso, há tanto que preciso... Esse castelo jaz todo abandonado e vazio. Meu homem. Seguro teu peito, eu te prometo. Se te assustares, abraçar-te-ei com alvo gozo e continuará lindo...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Labirinto (parte II)

Doeu tanto enquanto não entravas totalmente nesseudomínio... Inflamou!

Amar nunca fez sentido.

Hey, como você se sente? Em tempo, nessa noite infinita, sentirás o bom. Se sonhares.

Uma multidão anseia o teu vislumbre;
(libélulas sorriem com a ponta dos pés, beijando o fôlego do vento)

A multidão vê, extasiada, a tua corrida surtada. Onde fica a saída? Onde retorna? Apenas fique, meu bem. Fique bem e o mundo agradecerá levantando as mãos.

Agora os meninos se foram; gritos; alegria pura. Qual é a cor do momento? Talvez agradaria uma brisa morna-marítima. Um oceano e sereias esculpidas por Fídias. Seduza-me com teu canto sem retorno, timbre abençoado! Navegue os sete mares, descubra mais sete. Tudo sem dor ou fé em Netuno. Aqui. Pegue teu coração como se fosse seu e o eleve – para que as marés de fúria não o atinjam. Espera. O fogo superabundou, o pátio está tomado por mãos em chama. No ápice do altar a última nereida ressoa a sua ultima alta nota. E o fogo se apaga em teus olhos...

Agora, em que direção?
(Palhaços angelicais saltitam na festividade do Cisne Sonhador Rubro. Hallelujah! A luz, a luz! Onde está você?)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vale à pena dizer o que já foi dito?
Vale à pena sentir o que já foi sentido?
E se for tudo precioso, viveria eu contente com o que já foi vivido?

Sabe porquê ainda te amo? Porque ainda não travei diálogo com Sócrates. Eis-me então desconstruindo tua bela aura:

" Os estilhaços perfurocortantes não feriram meu olhar. Te expulso da redoma sagrada e nem me atinge, nem me dói. Desnudei-te e vi mil chagas pintando a tuas epiderme clara e fraca - é humano, é mortal imoral. O que conheço bem sei que é falso: o salitro dos húmidos olhos verdes teus hoje secou, agora fecha-se, muta e nada é capaz de se apaixonar. Quando te amo, primeiro segundo após você já é outro, e corro para te amar de novo, mas foges daninho. Ai! Que essa adoração furta-me a cor e o fôlego.

Pára e morre! E poderei te ter, congelado.

Quem te és? Eu, ele, você, nada exato e Deus cometendo erros. Presta atenções, não sou agraciado de relevação divina, tu não és meu anjo, presta atenções.

Suspirei outrora sob o espelho. Abriste tua boca para dizer-me honestidade e o reflexo veio devasso. Só atingi meu alvo romântico ao olhar a imagem da tua imagem em minha imagem. E morrias de novo cada segundo novo.

Então... Há auge de glória no meu sentimento? Houve autenticidade... Todo passado é autêntico. Se repete, acrescenta. O que eu amo é cada vez maior; eu amo cada vez maior.

(e a maiêutica prometida?)

Ora! Então o que te amo não é você.

Homem, quando te levei para o alto trágico nem me dei conta de que erguia uma ideia enquanto matéria despencava. O que quero é a tua alma quebradiça. Lindo monte de ossos.

Remanescências estão atentas a me cegar. Deixa eu dizer: se te adoro é por puro cansaço. Tu não és um mito, é hora de eu descansar dessa exausta elevação fortuita.

(e a maiêutica prometida?)

Ah, caí; deixarei o próximo botão falecer em pétalas de amor. Eu nunca atinjo ômega algum. Caio - sempre - no jardim dos desertados.
É que de fato não quereria tudo isso cá dentro."


Mas por você...


sábado, 8 de outubro de 2011

O Labirinto (parte I)


Enquanto os céus despencam sobre a terra amarga e infértil, portais de luz dum novo mundo elevam-se, hipnotizam. Lá no fantástico interior, unicamente lá haverá nova beleza e verdadeiro refúgio.

Bem vindo, anjo, ao Labirinto. E não olhe muito nos meus olhos.

Uma noite se confunde com um desejo, tal qual um sorriso a um mágico espetáculo. Unicórnios lepidópteros sobrevoam o caminho quadriculado – um mesmo lugar, um todo lugar. Há medo na sinfonia, mas acredite: à esquerda da luz, entre o casal de estrelas dançantes, ainda essa noite você será quebrado.


Tema quando reconheceres o passado, os últimos passos dados antes do portal, apenas. Aqui piano e balé são a redoma do teu deleite. Os olhos azuis, a pele morena dessas paredes pede: não me deixes, não corra. Perca-se num segundo. Deixe-me derrubar tua realidade. É belo, é extremamente belo quando o espelho é estilhaçado. Então a promessa é de manter isso aqui muito alto e vivo.


Feixes de carmim rodopiam ao vento, seguindo a aflição da liberdade. Tudo cai nos braços do vazio e glitter é o nome na nossa religião. Como se sente?

domingo, 18 de setembro de 2011

Ícaro falls (in love)


Deixa me a paz cá dentro, recolhida num dos aposentos mais aquietados e banhados sob penumbra.

Deixa cá eu adormecer sorrindo, ao menos essa noite, ao menos um sorriso... que dos excelsos excessos nada venho destilando... ao que me parece, sequei.

Da última natureza morta, expurgada qual nódulo cancerígeno, necrosou algo a mais... uma esperança, um sonho, um deus que sá.

Mesmo em louvor santificado, sincero e virtuoso, o aflitivo medo permeia e pernoita meus átrios, ora discreto, ora jorrando cascata violenta...

Eu acho que morri. Bem nítido, o horizonte se mostra findo, clareira que cega ao passo que revela: do amor nasce a aura que protege; do que mais ainda amo - venero! -arrancam-me das entranhas vitalidade (a pouca que divido com flores).

Tapem meus olhos, norteiem meus sentidos!! Que estive a jejuar a escrita. A fraternidade do fogo, ao consumar um ideal abraço, queimou-me os membros, mutilando a vontade de voar.

- o voo onírico das palavras -

Quero dormir, quero deixar que o sonho me guarde em quietude no novo mundo lutando por emergir nas vagas desta literária redenção. Mas não me deixes independente, louco que sou.

Vem comigo, pousa teus olhos nos voos dos meus, que a brisa nos sussurrará a verdade e, no auge da glória, beijaremos com fogo e paixão a nossa repentina graça!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Natureza Morta


Hora corrupta. A noite mais fria permeia duas estrelas rompendo um relacionamento, orbitando lados contrários desse círculo negro galático. Nem as folhas mortas suportam a miserere do caminhar sóbrio do vento.

Sentimentos rodopiam a esmo, da palma da mão aos confins do tecido ocular, penetrando a veracidade do passado. O sonho cadente em poeira desfaz no vão dos dedos, ludibriado pela nebulosa sepulcral... Algo está morrendo.

Enterra o derradeiro fôlego e integra-se ao corpo no Mundo, espectro da treva, desfalecido das asas de Deus. E continua o movimento ao outro lado, recordando os bons tempos da aurora, as linhas que saciaram uma possível falência; de quando as ondas de outrora traziam certa náusea oceânica: uma fenda que se revelava na alma, uma abertura para o bem. Hoje nem mesmo o mal se sustenta! Então caminha, anda sem pressa por sobre a realidade e esquece que possuiu em botão de rosa um desejo imenso.

Que houve um anjo. Que houve um poema. Que houve um sorriso. E que - feito plasma vivo - expandiu-se e atingiu o primeiro céu, crendo religiosamente na inverossímel felicidade.

Eis a última estação. Um corpo vazio deixa-se guiar pelo frígido amante das madrugadas. Rendido, calado, abdicando ao absoluto. Uma sombra qualquer dança deformada na parede: é o adeus fatal... Eis o último sussurro:

- Vento que furta o cheiro do beijo, que desce aos pés e morre no concreto. A vida é abiótica.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Bulimia literária:

A besta muda querendo escrever algo bom e bonito, para enfim descansar no sétimo dia - como fez nosso deus cristão. O problema é que, assim como o tal divino, a coisa tá péssima. Feia.

A mula muda digerindo mal as doçuras, gulosa inconsequente! E agora pesa e dói e pune e retorce. A coisa tá péssima. Feia.

É o que temos para hoje: vômito e refluxo.